Exposições




Peças de navios, instrumentos da marinhagem, artefactos dos pescadores, um dóri, redes, maquetas, telas e louça convivem nesta exposição recompondo a memória da pesca do bacalhau e recuperando a história da Empresa de Pesca de Viana. No âmago da exposição, um memorial nomeia centenas de homens que participaram no ofício da pesca do bacalhau.  
Nenhuma narrativa sobre Viana do Castelo pode sonegar a importância que a pesca do “fiel amigo” teve na vida social e económica deste território. Navegadores vianenses pescaram bacalhau no noroeste do Atlântico entre os séculos XV e XVI, havendo notícia da fundação de colónias nessas paragens remotas e, até essa data, ignoradas. Dois séculos mais tarde, os lugres tornam a zarpar regularmente da costa portuguesa tomando a direção da Terra Nova e da Groenlândia. Muitos homens desta região participaram nessas jornadas ou viram sair no porto de Viana do Castelo os navios, cujas proas fendiam o mar, tantas vezes gelado. O regresso era tempo partilhar ganhos e perdas, sucessos e insucessos. Várias gerações experimentaram uma vida ligada ao mar e à pesca do bacalhau, contribuindo para que ele se tornasse numa presença indelével na culinária e na memória coletiva nacional.
Na verdade, Viana do Castelo tem um papel nuclear no processo de retoma da atividade que decorre nos finais do século XIX e princípios do séc. XX, quer como local onde se vinha secar o pescado quer como sede de empresas que tomam o negócio. É neste contexto que, em 16 de Agosto de 1913, será criada a Parceria de Pescarias de Viana, designação primordial da Empresa de Pesca de Viana. Estava encontrado o mote desta exposição: recuperar a sua história, no ano em que atinge o centenário de existência.
Inquirir a história de uma empresa essencial para o desenvolvimento da pesca do bacalhau e do progresso da região, conduz à redescoberta de homens audazes, tão temerários em terra como no mar. De igual modo, remete-nos para uma acumulação de memórias que, nos tempos hodiernos dominados pela voracidade e apagamento, urge resgatar e divulgar. Esse é o objetivo fulcral dos promotores desta exposição. 
A história da pesca do bacalhau é um reencontro com um passado de contradições, hesitações e desilusões. Podemos nele ficar detidos ou enfrentar o mar e avançar em frente recobrando as fidelidades, os êxitos e a esperança que outras gerações, igualmente, viveram.



Exposição

Título | Viana, fiel amiga do Mar. Memórias da Empresa de Pesca de Viana.
Local | Museu de Artes Decorativas, Viana do Castelo
Promotores| Centro de Estudos Regionais, Junta de Freguesia de Monserrate, Câmara Municipal de Viana do Castelo e Comissão Social da Freguesia de Monserrate
Coordenação Técnica | Carlos Vieira
Produção | António Novo, Carlos Vieira, Edmundo Correia (fotografia), José Carlos Loureiro, Manuel Oliveira Martins, Maria de Lourdes Dias, Maria Conceição Carneiro , Sandra Cunha e equipa técnica do Museu
Execução Gráfica | n’Ideias   
Cronologia | José Carlos Loureiro e Manuel de Oliveira Martins

Agradecimentos | Os organizadores agradecem aos particulares, colecionadores e instituições que amavelmente cederam as suas peças:
 
Celestino Ribeiro
Domingos Manuel Gavinho Rei
Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora
Elvira Fialho
FORMAR
João Cerqueira
Jorge de Passos Couteiro
José Ferreira da Costa Rocha
José Nicolau Carvalho Alves
Luciano Enes Gaião
Zeferino Barbosa Amorim

Ao Intermarché - Areosa pelo apoio assegurado, no painel expositivo da "Seca do Bacalhau".
 
Agradece igualmente a todos os que colaboraram neste projeto facultando o acesso a documentos.





No âmbito das iniciativas paralelas associadas à exposição “Viana, fiel amiga do Mar. Memórias da Empresa de Pesca de Viana”, o Centro de Estudos Regionais promoveu no dia 11 de outubro de 2013 uma sessão evocativa de João Alves Cerqueira (1886-1966), que teve lugar no Museu de Artes Decorativas, às 17.30 horas. Na sessão evocativa foram apresentada diversas facetas da biografia desta figura e ressaltado o seu papel no desenvolvimento da cidade de Viana do Castelo, na primeira metade do séc. XX, através do testemunho de cidadãos vianenses e de um conjunto de imagens.
João Alves Cerqueira nasceu em Viana do Castelo, em 1886, tendo sido administrador da Empresa de Pesca de Viana, firma cujo centenário se comemora no presente ano. Foi um dos fundadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e administrou uma firma a título individual. O seu trabalho e a audácia serão reconhecidos com a atribuição da Comenda da Ordem do Mérito Industrial, em 1960. O seu notório dinamismo como empresário repercutiu-se noutras atividades, tendo impulsionado de modo decisivo as obras de construção do Templo de Santa Luzia, um dos ícones da cidade. A sua ação benemérita foi marcante, havendo registo de várias iniciativas assistenciais. A sua intervenção cívica concretizou-se em diversas associações locais, destacando-se o Sport Club Vianense, a Cruz Vermelha, o Asilo de Infância Desvalida, o Orfanato e Oficinas de S. José e a Confraria de Santa Luzia.
 
Em jeito de homenagem, a sessão constituiu uma extensão da exposição “Viana, fiel amiga do Mar. Memórias da Empresa de Pesca de Viana”, promovida pelo Centro de Estudos Regionais, Junta de Freguesia de Monserrate, Câmara Municipal de Viana do Castelo e Comissão Social da Freguesia de Monserrate.




Reprodução da primeira página do jornal "A Aurora do Lima", 10 de Outubro de 2013